Ao invés de simplesmente assistir a banda (larga) passar, milhares de novos - e nem tão novos - escritores, dos mais diversos gêneros, vêm fazendo da internet um excelente meio de divulgação de seus trabalhos. A interatividade criada pela chamada web 2.0 tornou possível aos usuários colocar no ar os próprios conteúdos. Essa era a revolução que faltava para que a nova geração aparecesse, através de perfis publicados no Orkut, MySpace, entre outros. Criação de podcasts de leituras ou publicação de vídeos no YouTube. Mas a grande virada dos escritores da nova geração foram mesmo os blogs, instrumento perfeito para a divulgação de trabalhos que cairiam no “limbo” das editoras ou livrarias.
“Um poeta jovem e pobre pode lambuzar-se de tanta poesia através da internet”, disse Ricardo Domeneck à Revista Época (edição de 4/06/2007). Ele é autor do recém-publicado “a cadela sem Logos” (7Letras/Cosac Naify), mas continua pulsante na internet, através de vídeos e poemas virtuais no You Tube e áudios de leitura de sua criação, publicados em seu MySpace.
O mais interessante é que, além de divulgar, a rede cria oportunidades de interações improváveis até bem pouco tempo. Hoje é comum escritores conhecerem-se em fóruns de discussão ou dando uma “passadinha” nos blogs de outros escritores. Assim, são iniciadas trocas importantes de informações, e até obras podem ser escritas em conjunto, não importando a distância ou nacionalidade. Só vontade. Foi o caso de Micheliny Verunschk , de Recife e Franklin Alves, de Niterói. Eles escreveram um poema a quatro mãos, por e-mail. Essa é a beleza do mix cultura/tecnologia: ele permite a utilização de recursos de interatividade e audiovisuais, capazes reunir e projetar muita gente boa. Isso vem servindo como estímulo para muitos escritores, que só despontaram com o empurrãozinho da internet.
Onde se inspira a nova safra? Muita gente procura literatura boa nos blogs e sites literários e fazem desses autores, referências. Grande parte do que é consumido vem dos blogs, já que os leitores consideram não haver muita diferença entre ler um bom post de seus autores preferidos e um texto de algum autor consagrado (e não de internet). O objetivo é um só: ler textos de boa qualidade.
Se a intenção é buscar inspiração em monstros sagrados da literatura mundial, aí também entra a internet. O Projeto Releituras, por exemplo, oferece um vasto material de escritores consagrados, que serve de referência para muita gente nova. Sem esquecer de manter um espaço para essa mesma tribo, publicando suas obras, tão belas quanto desconhecidas do grande público (ainda). Uma dessas autoras é Vássia Silveira, que publicou no Releituras o belo conto Pássaros nasceram para voar:
“…Com o tempo, desisti de procurar aceitação. Percebi que de alguma forma não merecia ser amada, nem tampouco compreendida. Agarrei-me aos galhos que cresciam silenciosamente em meu mundo, adubando, no frescor das noites insones, algumas poucas lembranças que me pudessem ser úteis. Deixei que transbordasse nas veias partidas pelos inúmeros erros que cometi, aquilo que outrora era líquido e que não sei por qual motivo específico, tornara-se uma gosma pegajosa. Na solidão e na ausência, preguei em cada parede um retrato do que poderia ter sido minha existência e lancei-me aos ventos, experimentando a liberdade do pássaro que desconhece o momento exato da morte. E é feliz por existir na inocência de que está sempre pronto para o abate.”
Vássia, que é jornalista, atualmente morando em Florianópolis, contou ao monovolume sobre sua motivação em divulgar seus trabalhos na internet:
“Comecei a escrever na Internet no final de 2005, com o site Ana e Suas Mulheres. Depois dele veio o blog Gavetas e Janelas, que surgiu como uma necessidade de ter uma ferramenta que eu mesma pudesse usar, sem depender de outras pessoas para colocar os textos na web. Daí por diante foram surgindo outros espaços para a publicação de meus textos.”
Ao final, ainda nos resta a dúvida: Blogar ou Publicar? Já que muitos ainda acalentam o sonho da “noite de autógrafos”. O fato é que existem blogueiros mais famosos do que autores de milhares de livros lançados no mercado editorial. Pela internet, não é preciso esperar por um editor. Nem é preciso que alguém faça a distribuição ou divulgação. Tudo que se precisa é ter leitores; e isso vem aos poucos. Um vai lendo, indicando para o outro, publicando o link no seu blog ou perfil e, quando menos se espera, você descobre se é um autor bom ou não. Seu número de acessos, seus comentários, enfim, tudo isso te dá a dimensão da coisa. O que interessa, no final das contas, é tornar público (publicar?), e para isso a internet tem muito mais fôlego que o livro.










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Oi, gostei das cores, com licença.
Acho mesmo que a coisa tá ficando séria, embora a porcaria estará por ai, o preço da democracia. Mas o trabalho espalhado na rede é o futuro paralelo aos impressos,se já não o presente contundente. Acho que no futuro virá mais profissionalismo e adaptação da leitura na tela. Os autores têem que ganhar e se mantêm dez mil leitores é preciso que esses o ajudem se assim quiserem. Os livros impressos jamais v~çao deixar de existir ou tornarem-se obsoletos, sendo que são uma maravilha sem tecnologia que leva um mundo dentro de si, mas o e-book ganharam, e blogueiros podem serem chamados de escritores, porque blogueiro é muito feio mesmo. Mas a coisa tá feita e o mercado já começa a sofrfer uma pequena metamorfose, quem sabe um dia a larva se transforme em borboleta para que os escritores vivam de seus trabalhos.