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    Canal: Música - Por: Daniel Santiago @ 11:32 pm -

    Lab

    Uma banda formada sem o propósito de ser uma banda propriamente dita. Parece estranho, mas foi por ai o raciocínio de Flavio Fetusborg e Ped ao iniciar o Lab em 2006. Misturando influencias de bandas como Beatles, Radiohead e Strokes, eles fazem um som que difinem como “fun times” e “lo-fi”. Recentemente foram considerados número dois no “Top 20 Myspace Bands” da revista americana YRB, e se encontram hoje em estúdio gravandoseu primeiro álbum “oficial” após lançarem em 2006 suas primeiras músicas na internet, disponíveis para download no Myspace.

    Confira abaixo o bate-papo que tivemos com Flavio Fetusborg a respeito das dificuldades e vantagens de ser independente.

    Para começar, contem um pouco sobre vocês. Quando surgiu a idéia de formar a banda?
    O começo, começo de tudo foi a gente não saber o que estávamos fazendo.O Bruno Ped juntou amigos mútuos, começamos a fazer um show aqui e alí, e aí a banda se auto-destruiu. Aí surgiu a idéia do projeto Lab. Era eu e o Ped gravar 5 músicas, e fechar um EP. Tudo em casa mas com bom gosto, e depois se preocupar com o ao vivo. Então gravamos essas 5 do EP, que nem sei se é EP isso, mas foi. Cresceu bem, aí a evolução foi fazer o ao vivo. Então reformulamos a banda, aprendemos a tocar e cantar direito, e aí começaram os shows em SP. Mudou formação algumas vezes, e agora estamos gravando o album. Foi bom pra 2 anos de trabalho.

    Além das influências de Radiohead, Strokes, Depeche Mode, David Bowie e Interpol, o que vocês têm ouvido ultimamente?
    Neste exato momento tou ouvindo Jamie Lidell, Thom Yorke e Flight of the Conchords sem parar. Voltei a uma fase Beatles, virei fã do Beatles4Ever que tocam no Crowne Plaza, aí voltou todas as lembranças de quando descobri os caras, que descobri rock com eles ne. Radiohead, fase Kid A / Amnesiac e todos os lado b, depois de anos sem ouvir. E também um soul, a compilação Stax Story, Otis Redding, Ben E. King, coisas assim.

    Ped: Eu tenho ouvido muito as coisas novas novas e as coisas novas dos que foram novos nos últimos anos. Novas novas tem The Gossip, The View… Novas dos que foram novos nos últimos anos seria Interpol, Artic, Arcade Fire…

    Qual a visão a respeito da troca livre de músicas na internet de uma banda que já surgiu numa época em que essa prática se tornou algo comum?
    É estranho. A banda surgiu nessa época, mas a gente não. Eu tenho o pé nos dois lados. Crescí vendo lojas de cd cheias, as pessoas saindo com um produto comprado novo e legal. Já comprei um monte de CD, e sempre achei que esse era o trabalho do músico. Criar, vender sua criação e se apresentar. E essa é a vida do músico, muito bem recompensado, merecido. E agora ele não vende mais música, ninguem compra, porém ele tem muito mais gente escutando sua música. Consquentemente, surge muito mais banda, diminuindo a quantidade de gente que te escuta. Então você tem que aprimorar suas técnicas de divulgação, e realmente ser uma boa banda. E aí… o mercado vai se nichizando. Grupos pequenos e fãs e gostos. Então… apóio a teoria de que a troca de música livre na net deixou o mercado muito menor e restrito. E o artista vai ter que atender esse mercado pequeno ne. Acho legal. Não tem motivo nem como lutar contra. Nosso album provavelmente vamos colocar pra baixar na boa. Mas não vai ter mais um Guns n Roses ou Motley Crue botando pra quebrar, dominando o mundo. Nem um Beatles. Arctic Monkeys foi muito marketing, apesar de ser bem legal o som. Só olhar pro segundo album e ver que tem um nicho específico as músicas deles, e não vai sair muito mais disso. Até eles reconheceram isso eu lí.

    O que vocês acham da cena independente em São Paulo?
    Cada dia melhor. A gente tá no meio né, das inúmeras camadas que ela tem. A gente tenta catapultar de uma pra outra, muitas vezes sem sucesso haha. Tem banda que gosto, que toca mal. Tem banda que nao gosto, que destrói. Tem de tudo. E tem vários estilos. Rock, eletro, bizarro, bucólico, cantoras, música instrumental. Os que mais ouço e recomendo é a Tiê, que produzí uma faixa do EP 1 dela que saiu mês passado. Ela faz música completamente diferente do que tem aí, e uma voz… wow. Druques também é muito legal, muito estiloso, puta banda. Mr. Lúdico e os Morféticos é classe.

    Ped: Acho a cena independente um puta celeiro de talentos, e acho uma pena essa galera não se organizar pra ganhar mais força. Tem muito espaço pra festivais, festas, eventos… falta uma maior interação. Talvez a gente acabe abraçando essa causa e tomando a frente.

    Qual a principal dificuldade de se ter uma banda independente?
    Nenhuma, é animal ser independente. Você controla tudo, vê todos os passos e dá pra saber exatamente onde pode chegar de acordo com seus esforços e dedicação. Na verdade, é mentira. Não tem como falar, porque nunca NÃO fomos independentes. Mas se tiver um selo ou gravadora, acho que só vai acresentar. Uns negócios meio malas que tem que fazer de divulgação aí sai das nossas mãos incompetentes e trêmulas, para mãos que realmente manjam. E pra distribuir é essencial ter alguém te ajudando.

    Há todo momento surgem dezenas de bandas independentes. Qual o diferencial da banda para se destacar nesse mercado que não pára de crescer?
    Ir contra a corrente… aparecer o menos possível, não fazer shows, e acabar com a banda se for necessário. Na verdade, pra se destacar acho que é 80% boas idéias de divulgação, que inclue o tipo de foto que você tira, as palavras que você usa nas mídias da banda e toda a comunicação em geral…. e 20% a música que você faz. Não sei se expliquei bem… mas quero dizer que pra se destacar, você não tem que alterar seu som pra atender uma demanda de destaque. Se você fizer isso, não tá sendo verdadeiro com você mesmo, e isso tem vida curta. Pode durar 50 anos! haha, e você ficar rico e famoso, mas acho que não vai se realizar. Então a música tem que ser verdadeira, reproduzir o que ouvimos na cabeça, com alguma pitada pop ou crazy proposital. Pra banda, o destaque vem em músicas que são curtas e direto ao ponto. Que tenta não repetir a mesma melodia do verso depois do primeiro refrão… que isso faz suspirar de tédio quem está ouvindo. Eu sei que eu fico entediado quando escuto o mesmo formato estrutural numa música que já não é grande coisa.

    Então o que a gente faz é música direto ao ponto, com mudanças e dinâmicas e quebradas, mantendo um aspecto pop… e a partir dái fazer as divulgações tradicionais, mp3, fotos, myspace. Mas sempre a espera de uma boa idéia pra uma divulgação inusitada. Que ainda não chegou nos nossos cérebros haha, mas vai chegar.

    Eu, Ped e um amigo nossa, o Ovo, também fazemos a Festa Party, que é uma balada de rock e outras coisas. Acho que isso ajuda a divulgar a banda de uma forma ou de outra. Embora quase nunca tocamos música nossa na party porque sempre esquecemos haha.

    Como é o processo de composição das letras, sendo que das cinco músicas divulgadas no site da banda, três são em inglês e duas em português?
    Eu cresci e fui criado em nova york. Fui pra lá com 4 e voltei com 17, e volto todo ano pra lá, ficar com 2 irmãos que ainda estão. Então todo meu repertório, e pensamentos, e influências vem de lá. Como eu faço as letras, as músicas saem muito em inglês. Em muitos casos, eu acho que soa melhor um rock cantado em inglês. Mas tem músicas nossas que ficariam escrotas em inglês, tipo a Sex Machine e a Vagabundo. Outras como a How Sweet e Mariachi ficariam escrotas em português. E outras como Do City Things e Agora Vai ficam boas nos dois. Agora Vai tem uma versão em inglês, mas nunca tocamos. Do City Things falta escrever o refrão eu acho, mas fica legal em portuga. No começo tinha gente que enchia o saco falando que tudo tinha que ser em português, mas de tanto não dar bola e insistir numas em inglês, ficou completamente natural cantar assim. Hoje nem percebo se é inglês ou português, e espero que isso passe pras pessoas também.

    Como a grande divulgação da banda através do myspace facilita a possibilidade de shows em festas e casas noturnas?
    Tem gente que entra no seu myspace pra ver quantos amigos você tem, quem são esses amigos no top 8 ou 16 ou sei lá, e quem está deixando comments pra você… pra depois ouvir sua música e te julgar bom médio ou ruim, com o filtro mental de ‘diga com quem andas, que direi quem é’, haha. Faço isso direto meu. É meio preconceito… mas. Então o myspace é muito bom pra mostrar suas músicas. Reuniu um lugar único pra músicos e bandas. Então é só passar o link do myspace pra uma balada pra eles ouvirem e te chamarem. É até mais fácil que entregar CD. E mais barato. Então uma página bem feito, com formadores de opinião respeitados nos seus comments é importante ! haha. Precisamos mais disso. Sair adicionando que nem alucinado, o que não fazemos, cagada haha.

    Como foi ser considerado numero dois do Top 20 Myspace Bands da revista americana YRB?
    Foi uma surpesa. Por causa das músicas em inglês, e de uns amigos que tenho lá, a galera lá escuta o Lab e gosta. A revista é nova yorkina né, então já sabemos onde é o foco. O myspace é legal meu, ele faz essas coisas acontecerem. Essa revista nasceu de uma loja hip na broadway, chamado Yellow Rat Bastard. Tem umas roupas bem loucas, e outras loucas demais.

    Ped: Confirma que o mundo está aberto a ouvir coisas novas.

    Para finalizar, o que podemos esperar do CD de estréia?
    Pode esperar principalmente algo que não te dá tédio. Música que vai ao ponto. E algo que é feito com honestidade e tangível e real. Optamos por manter o estilo lo-fi do ‘EP’, por isso vamos gravar as guitarras, voz e baixo no estúdio de casa, e a bateria talvez intercalar eletronico com real. Estamos eletroniquizando tudo primeiro, pra depois parar e ouvir se falta algo. Não sabemos quais das 5 músicas do ‘EP’ vamos regravar pra entrar no album. Mas as que vão entrar certeza são as que fazemos ao vivo, mas que ninguém ouviu gravado, a não ser umas gravações toscas ao vivo ou demo. Então seria Mariachi, Bêbado de Novo, Around Here Locally, Breakdown, Não Me Liga, Vagabundo, e umas novas que nem ao vivo fazemos ainda. E outras que não lembro agora. E além de tudo, talvez mude o formato album. Talvez não serão 12 músicas, talvez só 8. E vender mais barato. Vamos ver ainda. Seria bom uma gravadora nos pegar depois de gravar. Pra ajudar a distribuir legal.

    Gostou? Confira agora a faixa Sex Machine do LAB:

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    Uau! 6 comentários até agora! ;)

    #1

    [...] paulistanos do Lab lançam “Mmm…” - seu disco de estréia - nessa próxima sexta-feira 13 na [...]

    #2

    Olá a minha banda o Baba de Cobra foi selecionada para o Garagem do Faustão gostaria de pedir que você assistisse o video e votasse…para votar é bem simples é só clicar na última estrelinha…Ajude uma banda independente a conseguir divulgar o seu trabalho…abs

    http://video.globo.com/Videos/Player/Entretenimento/0,,GIM1003744-7822-BABA+DE+COBRA+BABA+DE+COBRA,00.html

    marcos comentou em 29 Abril, 2009 - 2:07 pm
    #3

    Vintage Rock, alternativo e independente

    Javalis do brejo comentou em 17 Julho, 2009 - 8:09 pm
    #4

    Legal o site, parabéns pelo conteúdo. Estou lançando um disco chamado Hip Hop Porto Alegre podem conferir no http://www.alvovirtual.com inclusive temos a loja virtual para produtos e artigos independentes.

    Jean comentou em 2 Outubro, 2009 - 5:31 pm
    #5

    Olá ! Sou vocalista da NOVA ,banda independente paulistana, e gostaria de apresentar nosso som ! Nosso CD DESEJO é distribuído pela TRATTORE e é possível conferir alguns sons no http://www.myspace.com/novamorena onde colocamos faixas demos também; nosso clip AMARELO está na MTV no http://music.mtv.uol.com.br/artista/nova_1_/videos/430686/amarelo ! Me sinto honrada em poder divulgar o q amamos fazer para tão bons olhos e ouvidos !! Muito obrigada pela oportunidade > Abço Luna Star

    Luna Star comentou em 6 Outubro, 2009 - 6:26 pm
    #6

    Beleza galera. Uma boa dica para DIVULGAR SUA BANDA é se inscrever no Cosmu (www.cosmu.com.br). Fui convidado para participar da comunidade deles no Orkut (http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=98246880) e agoora estou concorrendo a ser uma das 50 bandas a ter acesso exclusivo em março. Recebi um e-mail com explicações e em março o site está aberto, porem apenas em Abril o acesso a novas bandas estará liberado. Parece que vai ser um puta espaço para DIVULGAR E VENDER SUAS MÚSICAS. Entrem no perfil deles no Orkut, My Space e parece que no Facebook também tem. Inscrevam-se e DIVULGUEM SUA BANDA. Abraços, Eduardo , banda Old No 7.

    Eduardo comentou em 8 Fevereiro, 2010 - 7:23 am
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