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    Canal: Arte - Por: Renato Dalecio @ 12:14 am -

    Grafite

    O grafite vem ganhando espaço e destaque em meio a inúmeros olhares no contexto do corre-corre urbano de nossos dias. O que surgiu no final da década de 60 no Bronx, bairro de Nova Iorque, com função política e detentora de algum tipo de rebeldia, hoje ganha forma em meio à subjetividade da arte em diversas cidades, inclusive São Paulo. Este novo estilo artístico que passou a ser categorizado como arte de rua, colore e dá vida a espaços urbanos que até então cinzas e muitas vezes imundos, acabam despertando interesses e atingindo limites opostos a sua essência de arte consciente. O resultado disso é o que temos hoje em números cada vez mais crescentes de campanhas publicitárias e empresas se apropriando desta linguagem para lançar ao mercado produtos que adquirem a identidade urbana através desta arte. Os grafiteiros, artistas urbanos, começam a trocar os muros e painéis de ruas e avenidas por outdoors, folhas de revistas e até capas de livros. Eis que ao fazerem de seu talento bases para seu sustento, tornam-se alvo de críticas e repressões colocando em questão a velha discussão sobre a comercialização da arte.

    Recentemente em Nova Iorque, berço da arte de rua, grafiteiros engajados nos valores primordiais do grafite ainda politizado, num ato de punição e repressão, cobriram com tinta algumas pinturas de alguns grafiteiros que vêem ganhando destaque e forjando o mercado com arte. Os Gêmeos, irmãos Gustavo e Otávio Pandolfo, paulistanos que do Cambucí para o mundo já coloriram as ruas e galerias das maiores cidades do mundo - como Londres, Paris, Milão, Tóquio, Los Angeles, Nova York, Berlim, Havana, Hong Kong e Atenas - além de terem produzido arte para campanhas da Nike, por exemplo, foram os que tiveram o maior número de pinturas cobertas por tinta. Mas será mesmo que a essência da arte perde-se ao cooperar com o mercado ou estaria assim servindo de cooperação para (sobre)vivência de seu artista em nosso sistema capital?

    Temos inúmeros (e bons!) designers, músicos, jornalistas e mesmo artistas inseridos no contexto urbano que assim como qualquer um necessitam do trabalho tanto para (sobre)viver quanto para divulgarem aquilo que fazem através do desnudamento de seus talentos que serão impressos, gravados, redigidos ou pintados. Nós mesmos, dentro deste contexto, acabamos tanto servindo o mercado para que dele tenhamos algo em troca para nosso próprio proveito quanto para que sua existência se concretize e assim possamos divulgar nosso próprio trabalho. Se uma pintura urbana perde seu valor quando seu idealizador passa a executar ações comerciais, não estaríamos nós contribuindo para a constante perda de valores referentes aquilo que concebem nossa área de atuação na parcela do mercado? Desde que não se tornem escravos operantes do sistema, um designer, músico, jornalista ou artista ao fornecer um pouco de sua aura para a reprodutibilidade técnica estará realmente perdendo seu real valor e deixando de ser aquilo que seu talento lhe permite ser? Conheça alguns grafiteiros brasileiros que vêm se destacando pelo mundo e produzindo para além da arte de rua:

    Delicadeza infantil
    Carina Arsênio, a Nina, nascida em 1977, grafita há dez anos em São Paulo, e já passou por diversas capitais ao redor do mundo. “Represento uma temática feminina a partir de um olhar infantil”, afirma. Seus personagens, sempre muito coloridos, trazem olhos grandes e expressivos como uma de suas características mais marcantes. Seu trabalho pode ser visto também nas páginas do livro Graffiti Women do autor Nicholaz Ganz, que para produzir a obra visitou todos os continentes atrás das 100 artistas mulheres que mais se destacam no mundo do grafite. Dentre outros, participou junto com Os Gêmeos e o artista Nunca do projeto Graffiti Project que consiste na pintura de um antigo castelo na Escócia.
    Veja mais sobre Graffiti Project

    Belo no feio
    Zezão, também de São Paulo, produz uma arte totalmente particular no interior de canais subterrâneos da cidade. Entrando pelos bueiros ou córregos, o artista registra sua passagem com os chamados flops, que são rebuscados arabescos geralmente em azul, levando a beleza de sua arte para lugares por onde escoa água e muito lixo. Pintou camisetas para a Nike e participou de exposições na galeria de arte Choque Cultural - onde expõem artistas vindos do grafite, fotografia e de outras modalidades de arte de rua-, dentre outros. Seus trabalhos já foram registrados nas principais cidades do mundo.
    Acesse o fotolog do Zezão

    Simplicidade tribal
    Nascido em Goiânia, Kboco pinta os muros de sua cidade há cerca de oito anos com um grafite limpo, fluido, com linhas inspiradas no art nouveau e com pesquisa aprofundada na cultura de civilizações ancestrais. Além de exposições em Nova Iorque, Espanha e na Choque Cultural em são Paulo, participou de uma vídeo-instalação, durante o Nokia Trend, em São Paulo, dentre outros.
    Acesse o fotolog do Kboco

    Psicodelismo orgânico
    Rafael Calazans Pierri, paulistano conhecido como Highraff, pinta desde 1997. Suas pinturas são detentoras de inúmeros detalhes, formas orgânicas, cores contrastantes e alegres, além de aparente movimento. Também participou do evento Nokia Trend em São Paulo, expõe em diversas galerias internacionais, dentre outros.
    Acesse o fotolog do Highraff

    Os cabeças-amarela
    Os Gêmeos Gustavo e Otávio Pandolfo, paulistanos do Cambuci, nascidos em 1974 são os que mais se propagaram do grafite de rua para as galerias e para o mercado. O currículo da dupla inclui campanha para Nike, como já mencionado, exposições em diversos países, capa do livro Graffiti Brasil, escrito pelo britânico Tristan Manco, dentre outros. Seus famosos personagens são homens de cabeça amarela, olhos de um estilo próprio e geralmente vestidos com roupas adornadas com minuciosas estampas.
    Confira mais sobre Os Gêmeos

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    Uau! 10 comentários até agora! ;)

    #1

    São muito bons todos citados ai a cima, eu conheço o trabalho de todos.
    Inclusive em meu fotolog eu coloco diversas fotos dos gemeos e outros.

    Fernando comentou em 15 Março, 2008 - 12:50 pm
    #2

    vcs são muito muito chics

    daniela comentou em 29 Abril, 2008 - 6:04 pm
    #3

    very good esses caras aew são fodas principalmente os gemeos!
    eu sou da new school
    mais já realizei algumas exposições e diversos trabalhos com o grafitti !

    lgm comentou em 6 Novembro, 2008 - 12:05 am
    #4

    Parabéns pelo conteúdo!
    Envolvimento da cultura urbana voltada para art grafite fazendo efeito para toda sigla e movimeno.
    É nós!!!

    q L i comentou em 25 Novembro, 2008 - 2:45 pm
    #5

    quero chegar a esse nivel pôôôôôô muito louco

    carlos alves dos santos comentou em 14 Janeiro, 2009 - 1:16 pm
    #6

    Trabalho espetacular e inspirador

    Saúde e paz !

    Rudny comentou em 1 Fevereiro, 2009 - 7:32 pm
    #7

    os grafiteiros sao de mais nunca vi desenhos tao lindos como os grafites

    fabiano comentou em 17 Junho, 2009 - 8:42 am
    #8

    Adorei decrobir este site sobre grafites, eu tenho apenas 14 anos e faço varias grafites nao sou muito fera nos desenhos mais mando ver nos nome, nos nomes eu arraso. Visitei esse site para ter umas ideias para fazer um blog sobre o assunto e tenho q admitir q esse é otimo PARABENS!!!

    Luana comentou em 24 Junho, 2009 - 10:25 pm
    #9

    eu achei isso espetacular porisso estou mandando essa mensagens

    Tauane comentou em 24 Setembro, 2009 - 10:25 am
    #10

    muito legal quando cresce vou ser grafiteiro

    igor comentou em 6 Novembro, 2009 - 8:42 am
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